terça-feira, 22 de março de 2011

Lenga N º 6 - Existe?

Escher




Há de haver muitos hãos entre Ázes. É sempre o a que nunca houve. Átrio, ventrículo direito, tricúsipide, tríplice trapaça. Há, houve, existe. Eterno não ser. Eterno Solilóquio, que perde o sentido só, sendo esquecido o significado.

Não sei o que é solilóquio.

"É gato preto no escuro", a mesma história do Guimarães. Garanto. É o resto do fim da guimba do Guinga. É a festa de cupim em rocha de ferro. É faca de gume cortando, um já perdido jasmim.

É pau, é pedra, é papel, é o fim do prelúdio.




domingo, 20 de março de 2011

Lenga Nº 11 - (in)atividade poética



Esfereográficamente garranchos à bic. Doze letras pro soneto, não dão dez sílabas. Troco por Times New Roman. Já não tenho nada concretista, afinal. E as flores são estranhas nessa tela sem cheiro.

segunda-feira, 14 de março de 2011

O apanhador de desperdícios - Do Mestre Tio de Barros

De David Fuhrer



Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios


Obrigado por me dar esse inutensílio e essas tralhas tão incríveis, meu tio Manoel de Barros.



* Pela primeira vez o verbo de outro poeta invade este quintal sem que por minhas palavras. O faço para conversarmos na próxima atualização, numa prosa informal e pessoal.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Variações de um mesmo tema.

Os textos a seguir são fruto de uma cochilada no sofá de minha mãe e, para trabalhar um pouco do que foi, neste sonho, dito, tratarei de duas formas as mensagens, que são encontradas abaixo.

Sextante 0




Sextante

 Encostei ca ta ma ram
A encontrar carmim o mar
Encardido, sórdido
Bravo verme
Herói
Marcado em mensagem, o mar vermelho
Mordido de ondas
Sondado por fim
Uma mensagem ardida, de ouro
D'um frio lastro sem valor
Na fina camada de festim

Navego, não vivo

Sextante 1



Abriram os portos, meu catamarã lançou-se ao carmim. Era bravo, era sórdido, enfim, herói.
Não Havia, para mim, thelemáquia, ou mesmo Brobdignag. Havia uma mensagem que, vinda de um céu, eternamente poente, gravara em minha pele desbotada seu código, a aço frio, a ouro frio e a mercúrio.
A vela carregava estandarte azul e prata, que a luz agonizante ainda faz luzir o brilho cinza. O gosto de ferro, carne seca, peixe voador. Sabia que deveria navegar e, só em meu pavimento, ao sabor das ondas, seria portador do que me marcava em código na epiderme.
Não quis botas, chapéus, brasões. Segui tal recém-nascido atônito em recém-nascido mundo, Viveria, mas isto não era preciso. Não será. Em diante, de agora, caminho carmim aberto. Sem ilha, península ou continente.
Até passar a mensagem.
Até consumir-me de palavras.
Até encobrir-me a tempestade, assim rubra, de uma afogar enérgico, fulminante, para não me debater, nem lembrar, nem voltar ao porto.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Lenga nº 7 - Amor corporativo



Bateu duas vezes. Caiu no chão. Sangue para todos os lados. Nunca lhe aconteceu. Amor corporativo, longe do comum. Era vermelho, num mundo preto-e-branco-e-preto-e-branco na luz fosfoforecente, ascéptico. Tremeu, gaguejou, balbuciou, parou. Pediu protocolo. Aval de supervisão. Morreu com três vias, registrado em cartório.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Estilhaços



Parto para partes' algumas

Levo leve lata de' coisas

pedras pretas pontudas' são

Medonhos mantras no meio' do caminho,

Esbarro no barro o braço' na pedra

,cai a lata, atolo a graça' na redenção

Estilhaço' meus sonhos

também' medonhos.


* Espere até 0:10 para começar a ler
* a apóstrofe marca o fim e o começo de um e de outro poema, que também pode ser lido não a levando em consideração, como um poema só)






O blog ficará mais parado, a produção continua, o retorno é certo.

Esse quintal vive em todos os quintais.

Lenga nº4 - Movivento



Foi entranhamento em pleno passo de dança, contei até darem dez mil giros. Víamos pétalas, sépalas, caule solto. Era de se admirar, grandioso, transbordáva-me d'água os olhos. Me perguntei, então, por que bugalhos não chamava d'outra coisa que não frô?
Até o presente momento, não parou de girar. Mantive posição de vento.