sábado, 28 de janeiro de 2012
Arte, Pena, Leão
a arte corrói a alma dos homens da corrompida máscara de chumbo que é comprada com as moedas de ouro. simples troca. a verdadeira arte é ácida, feito um limão no sol que se derrama na mão invisível do malfazejo. e só dele. a arte, quando honesta, limpa a fuligem e a graxa, como estopa. faz o mesmo pela maquiagem da rúbris, tal leite de rosas em pele de bufão triste. a arte infesta de pulgões as ervas daninhas, e só elas, nos jardim de flor poesia. sem agrotóxicos. a arte incita escárnio e maldizer, ao que merece escárnio e maldizer.
ao sabor das ironias. a arte trás aa boca o gosto de zinabre de uma ressaca, quando o gosto de zinabre precisa ser sentido. dá o porre a quem precisa. a arte, quando verdadeira, orienta do que vem sendo feito de ruim, batendo na cara dos paralisados com um martelo de aço e titânio. porque a beleza nem sempre é fácil. a arte, quando e enquanto verdade, é amante do próprio amor. platônica e insistentemente. a arte queima nos dedos dos ditadores e tatua seu nome nas pálpebras dos tiranos. badala seu sino nas camas dos horrores. a arte não tem nem treme nem se ajoelha. a arte se curva ao pequeno e dobra o grande. não tem distinção de classe, credo, gênero ou cor predileta. a arte não se encontra na escola, biblioteca ou academia, mas nas quinas do mundo, a arte, na verdade, não ensina escultura, aprende a beleza dos bueiros.
a arte mesmo não se explica. explode na nossa cara.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
lenga nº(antítese)
Pontes, Postes, peitos, pensamentos.
Oh pária!,
não páre a voz calada:
mordaças, maldições, miragen
merda.
_escrevendo com carvão as paredes do ontem.
Desenhando enormes pênis
sortidos,
de todos os gostos,
o mau gosto mau gosto,o mau gosto, mau gosto,
nas entranhas míticas dos livros,
do excomungado anteontem.
Seu fogo juvenil,
juvenil,
ardeu a brasa morna,
que agora cinza,
cega o olho dos caretas.
Cega Seu olho,
cega Meu olho,
pulverizando hoje,
hoje,
apenas hoje.
O agora, o instante.
Que sucede acabar.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
ameaça.
bom dia
meu nome é o seu. acredito que me conheça de tempos
imemoriáveis. não no espelho, cara amiga cara, não do tato impossível, cara
amiga mão, não dos cheiros inexplicáveis, irmão nariz. entretanto, posso
garantir que sou confiável feito uma tesoura sem ponta e que de mim não esquece
nem lembra.
por muito tempo vivemos de constante guerra e de
prof(anos)undos amores. me matei e te matei na mesma freqüência e com a mesma
intensidade que você ia ao banheiro ou sentia o corte de um pedaço de papel.
fizemos bem e fizemos mal um ao outro. por vezes fui seu apocalipse e deixei
você ser o cavaleiro branco. por vezes fui o curinga e lhe deixei ser o batman.
por vezes trocamos os papéis até não haver heróis e vilões. até que tudo se
tornou ofensa para você. corremos para nós mesmos para as pazes, mas já que
éramos um só, não havia, afinal, para quem correr: nos tornamos tediosos, bobos
e previsíveis um ao outro.
e então, veio o tédio.
você se ganhou essa massa de gordura, pesada e imprópria.
seus dedos perderam a vontade. o mundo era essa coisa que você colocava na
caixa de legos e ia ganhar seus trocados, muito trocados. tentar ser quem não
pode ser. repito, quem não podemos ser.
você me traiu, meu amor, você nos traiu. você se traiu.
esse é o grande motivo que vou nos queimar vivos e deixar
uns pedaços de cinzas por aí. vamos nos pulverizar como eu sempre quis e você
sempre hesitou. vou nos picar miudinho, para que os papéis se espalhem e
depois, gasolina, isqueiro e fogo.
bum.
mas isso não será um adeus. seremos eu, agora e para todo o
sempre.
seremos eus. e assim, de uma vez por todas, essa gordura
será dissolvida num poço que você mesmo criou aí, em algum lugar longe, a quem
nem eu mesmo tenho acesso. nem você, nem ninguém.
tudo será queimado vivo, assim acontecerá, com data, hora e
meios marcados.
e como sabemos, eu e você, não existe um fim do mundo.
de todos os cortes, machucados e sentenças de demência que já lhe fiz, essa é a forma mais leal que encontrei de te ameaçar. não
importa quem for, começando de seu funeral, entenda que foi necessário seu fim.
seu começo e sua implosão.
com todo o afeto do mundo.
você.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Lenga nº 18122011
na rua do marquês, número dozentos e meio,
surge um questionário, livro aberto carcomido,
que multiplica
um vezes um, vezes um, vezes um, vezes um,
vezes um, vezes um, vezes um, vezes um, vezes
um, vezes um, vezes um, vezes um, vezes um,
vezes um, vezes um, vezes um, vezes um, vezes
um.
_dá trezentos e pouco.
_ é, eu sei.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Lenga nº 51 - reza
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
just do it
alarga e cresce, represente, obedeça
seja seje invente nasça
padeça
pereça
Olhe cante tombe mate ouvide
esqueça
Olhe cante tombe mate ouvide
esqueça, teça
Leia, pare, conte comigo
um dois três às terças
Sonhe solidifique o chão
da tua cabeça
bata o prego, pregue zeus
odin madre tereza
bata o prego pregue deus
babá cain cerveja
bata palma o pé a porta
bata palma o pé a porta
bata palma o pé a porta
bata palma o pé a porta
aporta
entenda
entenda o estático
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Lenga 78 - reminisco
descarna o peito um verbo, era teu pretérito
jogado ao meu, peito ateu (_____)
pent-a-teu-co sujo
,pentátlo moderno:
-lavar... moer... estressar... digerir...foder-
quem era TU monstro amargo amigo santo?
era eu
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Lenga nº 2222 - grito mínimo
abro o peito, a árvore e grito:
Pois que sim, sou seu senhor!
retorno feito coca um litro:
Pois que sim, sou desertor!
E alguém lhe diga, a mim:
_Ó moço, se esqueça
a poesia a pena tem
_de mim?
_E de quem mais não?
-saiba-
Na mão do tempo, sou areia
que a ampulheta desistiu de contar
Abro o parênteses, choro e canto:
Pois que sim, sou gozador
tem pena d'eu, poesia
Que algum verso é teu pra variar.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Lenga nº -1 - Fragmento ancião
Onde tem a hora
Senhora
Contém todo antes agora
Sonora
Contente servente que chora
Gangórra
Que o dia de hoje
amanhã lhe faz jus
no ontem, a cor da
luz
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