quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Lenga nº 030789 - Desejoso comentado



Comendo o taco do chão (...)
Ao molho(...) dos pés dos passantes
Do ninguém do meu quarto
Um nome a ouvir (silêncio)
Quando (,) se quer pela noite
Uma voz (,) a se esperar
Entre a net (dot) e a rede de dormir
Iria eu (?) , pregueçoso esperar ela falar (?)

Naaa

(anagrama desnecessário)

Desejo
Auspicioso
Nítido,

(pausa dramática)

Intensamente

(aliteração chula)

Entendido da sua
Lonjura

domingo, 23 de outubro de 2011

Carta-conselho a um amigo, por dez real



Entendo a questão do tempo e de não haver nada além de calor e distância nesta sua cidade. É de se perder no horizonte reto, sem nada que lhe faça lembrar um morro ou inclinação, para cima ou para baixo.

Assim, as metáforas da vida são menos simples, aí onde está.

E nesse tempo idiota que te lembra umas lágrimas e alguém que era só temporada, um samba de cortar o coração do da viola começará no seu player interno, mas engole seco e afarinhado o desejo dessa peleja, de não querer a volta e de crescer, emburrado e intenso, nesse plano no meio das coisas. O tempo, que às vezes para no ponteiro do segundo do escritório. O tempo que corre de canelas ensebadas na primeira diversão da semana. E tudo que às vezes é melhor esperar pulando de alegria. A frieza que se aprende se mantendo sentado. Todos os momento e minutos corridos ou arrastados, amaciados no primeiro copo de cerveja que lhe é servido. Preferivelmente, somente de segunda à segunda.

Não queira aí uma sala de espera.

Se alimente de si na distância que percorre, tempere as coisas com molho inglês e paciência britânica. Nunca foi de alarde, não é mesmo? Entenda a filosofia dos poucos que te acompanharem e converse com os mais velhos nos botecos. Não deixe passar do ponto os ônibus e aquelas pessoas que você pode se ater enquanto estiver por aí. Do menor, ao maior, da aventura com a vizinha, à paixonites de um nova pequena qualquer. Nenhum sentimento é menor, se a gente é maior. Mesmo estando longe, você daí mesmo, é só cuspir no chão, não pedir um cigarro e pensar na mãe terra. É ser sempre confiante, sempre receptivo, olhar sempre em frente e os decotes das que passam. É comer uma dieta leve, ir sempre ao médico, não cometer excessos. É internar as dores no asilo, ler a filosofia alemã e estampar no peito a bandeira de algum partido. É viver sem reclamar das coisas e ter a atitude de um vencedor de fórmula um multimegamaster milionário.

Mentira.

Não existem fórmulas. Existe a pancada de um bastão de concreto na cara, que é chamado experiência. Até lá, vamos formulando fórmulas, eu aqui barato e inerte, você aí, só e só.
Por enquanto, só enquanto. Deixo amanhã pra ontem. O agora é pra ser sentido feito uma faca desnecessária na barriga. Sem escolha.
Por enquanto, só enquanto, dividimos bobagens, Noel Rosa, umas dorezinhas de cabeça e uma cerveja imaginária nos inícios de noite. Torcemos um pelo outro, as roupas pra estender no varal e os pescoços de quem merece. Cremos nas coisas que nos ajudarão e esperamos nos encontrar em breve num meio-fio qualquer, de Minas ou de Marte.

Só lhe desejo boa sorte, roupas secas e achar dinheiro nos bolsos de vez em sempre.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Lenga-enga-enga nº 29 _ ecos vozes vultos de uma suja


_(DES)perto-a-dor é, não de passagem a ti. Sabe ,(pequena suja), O chocolate nunca vai acabar... Deseje para si o sab(hor)ror do jiló.
*Saindo de seu casulo multicolorido, exclama da boca nascente*_Mas... Como posso querer jiló?, *lambendo os dedos amarronzados de carbono e chuchu*, disse sábia(mante) *trazendo o gosto ao ventre*.
Assim, permitiu-me regurgitar_Não há essa diferença, o ar traz o mesmo gosto deste teu chocolate. Gosto de morfina. Da morfina deste Tempo.

Assim ela saboreou a eternidade, desligando-se das palavras.
Saboreei voyer a dor. A dor concreta entre os dentes. Dentes da outra.

De quem nunca se deixará chegar aa boca o gosto do sangue.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Lenga nº 121320 - hidroclorídio

Pintar as flores e os amores
             com sangue e tripas
dos vencedores.
Cavar os rios, petróleo, ouro
O pó perfeito
    construído

Cantar as dores e os sabores
    com riso e dentes
dos vencedores
A correnteza, mar, areia
O sal no rio
    emudecendo

Partindo em punho
cerrado a alegria
alheia a todo
mal imposto

O perdedor graceja
Seu fim, saída

sábado, 24 de setembro de 2011

Ser um cão



Conheço na porta um cão, no vão de nove e meia. Canta comigo cantigas de ontem, a me ver, em mim, animal passeia. Era sorte, era a morte, batendo aa porta, o carvalho, o toc, o toque. Lembrava o campo, que não cresci. Lembrou o concreto em que vivi.

Lá vi, segundos passados poucos, mais sossego, patas moverem-se de vez  em vez adentro, na forma de mãos, dez dedos apertando, apelos e olás. Caninos no sorriso, sorrisos caninos meus. Meu rastro rosnador, era ele, era eu, espelho amargo do ontem.

Que me contem, num mote, que veria assim labrador, fila ou mastim. Dálmata, de palma preta. Chiuaua au au. Basset ranheta. Não, não veria, tomba lixos, vira-lata, cão canastra. Mestiço místico. Milagre em cores multipálidas, multivívidas, miscigenadas, vivendo de cuspe e caridade.

Carecendo apresentar, os olhos pretos sórdidos, os olhos puros do mestiço. Vendo um mundo humano, agora, polegar opositor. Nunca opondo, nem depondo a malandragem, a dragagem, passado precisado para - o sobrevivendo então, vendo agora as cores sem preço. Triste d'a chuva não as ter.

Atém em mim o minuto. Bacantes tratantes cantam. Nossas formas, bossas, ateus. Passos no passeio sem raça. Passos nossos, nesse deenea meu e teu. Mas sabemos de Valquírias, a subir nesse céu a cantar na pós batalha, antevisita, antecanina, ontem humano. Lançando restos de banquete em meu tapete. De Vikings vixens visigodos e dervixes. Entreolhamos.

Aa caráter avança aos restos, ao lixo, costumeiro. Deixo o banquete, avanço conjunto. Alimento dos impróprios, dos vassalos, de nós dois. Beiro o paralelo, me encho de pelos, arfo, rosno, cumprimento o meu dono. Livre, deixo a casa ao novo morador. Para amanhã voltar, e recomeçar na linha um.





segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Lenga nº 171 - Mala



Ergue
se
O pendão contínu
...ooo...
Dum velho jeito brasileiro
De querer-se
ser
Mala(ndramente)
Perdedor consciente

Assim sigo poeta
mente
incólume der-r-ot
ista,
E tão outros
tistas
Amém.
(te)

domingo, 18 de setembro de 2011

o outro, o eu, o débito

Andre Kertesz _ Shadow Self Portrait



o inferno com cheiro de jasmim e anil morre e encerra em si todo o nome
[da ignorância
seja ele um não saber seja ele o não saber é aquilo
[que não tem resposta
pras coisas feitas sem ser si no inferno, na verdade, não tem cheiro, cor, rastro
o inferno não tem memória
Acorda todos os dias em nós e desperta de súbito, sem vermos
Então pagamos seu preço, sem culpa, culpados
Todos os dez vinténs.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Talvez por isso se precise de homen fortes e que chorarão na hora da sombra. Com seus chocalhos, feitos por seus pais. Com sua Força, feita por seus pais e consumida pelo mundo.
É por ignorância sim, que todo o inferno do outro, é em si não um cheiro, mas uma potência de cheiro. É por Não ter respostas que criamos essa fantasia e balançamos nosso presente barulhento, fazendo um barulho que evocará de nós a nossa própria hora da sombra.
Evocará o mal do mundo pela mão do mundo numa pergunta que responde o mundo. De um modo que o pedido seja da vontade de si, e de nem um outro a caminhar por suas mãos. O rastro é de quem deixa o rastro. A mão é a de quem levanta a mão e a vontade também. O inferno aparecerá, sim, um dia, em todos nós.
O inferno frio, o inferno frio, o inferno frio.
Se assim for, pela mão de quem tem vontade, que ele apareça, que se lembre, que se fale, que se deseje o próprio inferno. Não de si, mas dos outros, não dos outros mas de si. Que o pesadelo seja consciente e a dor na carne seja consciente. Que o débito seja pago com sangue. Sangue consciente,  e então o choro invada, mas um choro consciente, vindo sem embargo, mas por desejo.
Que a sombra inunde, então, o homem consciente na hora da sombra. Um homem sem débitos de vintém algum, sem culpa que não a sua de ser si. Que a sombra envolva sua força e chocalho e sua sorte. Que a força e a lágrima corram pelas mãos da sombra. Sem cheiro de mão. Pelos tentáculos da sombra. Pelos frios, frios, frios tentáculos. Sem cheiro de tentáculos. O anil sem cor, anil gelado dos olhos da sombra que engula um homem livre de si e do mundo, que o anil sem cor, anil gelado engula um homem livre de si e o outro. Que este anil venha a expelir um homem livre e consciente. Culpado, livre e consciente, de ser culpado livre e consciente. Que se devolvam os vinténs.
Que se pague os débitos com a culpa e a ignorância. Do homem que agora sabe.

sábado, 20 de agosto de 2011

Lenga nº π - Cálculo Renal



De dois em dois em dois quarteirões - passando pela rua dos coqueiros - as rotatórias me lembram, bem, me lembram, que eu nunca soube a fórmula de seus tamanhos, tão circulares - Sabe lá - Imagino um bom queijo curado e um café pra acompanhar aas quatro e quinze sentado no sofá de couro pardo dos meus cinco anos - Vale mais a prosa do ontem que que a grafia dessa matemática fajuta pública - Xingo, lembro de cálculos - que me eram renais - de quinta a décima séries. de pronto. Aparece-me um P***. Duas vezes. Ao raio que o parte ao meio. Num segundo agora, o grão torrado é mais importante. São dois metros e meio.

domingo, 14 de agosto de 2011

...e e guia-me pela senda tranquila.

Tudo é uma senda
Não sendo, não vale

Sendo, é senda.

Se vale é, é esse
no meio de minas

E eu abro meus olhos para o vale
de novo
desse vulcão incrustado nas minhas minas
Me embebedo dos morros,
saudosos morros
de minha grandiosa infância

Comemoro e bebo
os presentes
Choro e bebo
os ausentes
Na presença da saudade

Fácil de matar
Fácil de invadir

Invado
Invado a distância à golpes de roda
Invado soturnismos à golpes de vinho
Invado meus quereres à golpes de pena
Invado ...
    Invado ...
Divido.

E retorno ao planalto, o velho planalto
Onde a senda aguarda
Sendo a cela

E confirmo que tudo é uma senda
Não sendo,
não
vale

Sendo, é senda.

Se vale
é, é esse
no meio de minas

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Liquidação de fim de férias:



Vendo minha van
filosofia, modelo 1989
Tenho espaço
para Marx, Plutarco, Sêneca
Além do tiozão do boteco
Severamente

Come pouco
na estrada e faz bem feito caminhada
Para você
que tem dois trocados na jaqueta
e bebe tanto
quanto todos nós

Entende-se comicalmente o universo
Come-se
a farinha do desejo
Come-se
o mundo em tiradas de hashi
Poucamente,
mineiramente,
o eu

Esse eu
que vendo,
como os dezesseis lugares
na van filosofia
Em todas,
vãs,
tentativas de ser
Embriagado
Religiosa
mente
sábio

O testamento
Do bom samaritano
Do hoje

Barato